A greve dos bancários, que agora já se prolonga por duas semanas, demonstra quão poderosos são os bancos no Brasil. Não digo isto pelo impacto que a paralisação causou à economia do país, tampouco pelos transtornos que ocasionou. Também não digo pela parca ação do governo, à frente das instituições bancárias públicas.
O que chama atenção é o que não é dito. Num ambiente democrático, o reboliço causado pela mídia teria sido muito maior. Entretanto, estamos no Brasil, onde os veículos jornalísticos se eximem de opinião naquilo que de fato pode lhes causar prejuízos.
As maiores contas de publicidade dos conglomerados de notícias são aquelas mantidas pelo Itaú/Unibanco, Bradesco, Santander, HSBC, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e outros. Assim, não se lê nada sobre a truculência com que os bancos têm tratado os grevistas, os embates e perseguições aos adeptos da greve, menos ainda dos graves danos perpetuados ao povo brasileiro.
Curiosas são as matérias que permeiam a mídia, dita livre. Cheguei a ler que a greve não tinha grandes efeitos para o brasileiro médio, já que segundo dados levantados em 2008, apenas 18% das transações bancárias se davam nas agências. Li ainda que parte dos bancários a iniciativa de se debruçarem sobre suas mesas para encontrar uma forma de atender as solicitações, sem, contudo, prejudicar os resultados dos bancos. Será mesmo?
Ora, somente no primeiro semestre de 2009, o lucro do Itaú/Unibanco superou R$ 4.5 bilhões, o do Bradesco circulou em torno de R$ 4 bilhões e o Banco do Brasil da mesma forma, o Santander ficou perto dos R$ 2 bilhões. Estas cifras exorbitantes. O Santander, em emissão de ações na BOVESPA captou mais de R$ 14 bilhões de reais. Uma verdadeira quebra de paradigmas.
As finanças bancárias vão muito bem, obrigado. Nada justifica a mesquinhez com que os bancos tratam seus empregados. Não obstante, neste cabo-de-força, cada qual faz seu papel. Os bancários buscam melhores condições de trabalho e remuneração e os banqueiros procuram maximizar seus resultados.
Quem não parece estar cumprindo o seu dever, por que não dizer, cívico são os meios de comunicação. Será que estamos mesmo inseridos em um ambiente em que o acesso à informação é livre e desimpedido?