Monday, September 20, 2010

Balzaquiana

Ó esquálida balzaquiana,
Por que levas uma vida tão provinciana?
Ocupe-se de mais amores e menos camas.

Ó iníqua balzaquiana,
Por que permites que a inveja te consuma?
Os bons amigos já se vão e agora te abandonam.

Ó incrédula balzaquiana,
Por que preferes crer nas más façanhas?
A vida em teu espelho é feia, bisonha.

Ó indileta balzaquiana,
Por que não percebes que o tempo anda?
Tua fadigada beleza não emociona.

Ó rouca balzaquiana,
Por que pela boca alheia cantas?
Diz aos ventos quem és e colhe o que plantas.

Ó ardilosa balzaquiana,
Por que não escolhes uma vida mais cigana?
Liberte-se da pequenez que permeia as suas tramas.

Sem prisões.

"Quando me convenci de que o Universo é natural, de que todos os fantasmas e deuses são mitos, a alegria da liberdade permeou todos os meus sentidos, toda a minha alma, toda a minha mente, todas as gotas de meu sangue. As paredes de minha prisão ruíram, o calabouço inundou-se de luz; todas as fechaduras, barras e grilhões dissolveram-se. Eu já não era mais um servo, um empregado ou um escravo; já não havia para mim qualquer mestre em todo o mundo – nem mesmo no infinito.

Estava livre. Livre para pensar, para expressar meus pensamentos; livre para viver meu próprio ideal; livre para viver para mim e para aqueles que amava; livre para usar todas minhas faculdades e todos meus sentidos; livre para abrir as asas da imaginação; livre para investigar, adivinhar, sonhar e expectar; livre para julgar e determinar a meu bel-prazer; livre para rejeitar todas crenças cruéis e ignorantes, todos os livros “inspirados” que selvagens produziram e todas as lendas bárbaras do passado; livre de papas e padres; livre da barreira entre os “escolhidos” e os “excluídos”; livre de todos os erros santificados e das mentiras sacrossantas; livre do medo da danação eterna; livre dos noctívagos monstros alados; livre de todos os demônios, fantasmas e deuses.

Pela primeira vez estava livre. Já não havia mais nenhum local de entrada proibida nos reinos do intelecto; nenhum ar, nenhum espaço onde a imaginação não pudesse abrir suas asas multicores; nenhuma corrente para meus membros; nenhum flagelo para minhas costas; nenhuma chama para minha carne; nenhum mestre para me intimidar ou ameaçar; nenhum caminho de outrem para ser seguido; nenhuma necessidade de obedecer, adular, rastejar ou fingir.

Estava livre. Emergi ereto, destemido e feliz. Encarei todos os mundos.

Então meu coração encheu-se de gratidão por todos heróis e pensadores que deram suas vidas pela liberdade no pensar e no agir – pela liberdade das mãos e do intelecto; por todos aqueles que pereceram ferozmente em campos de batalha; por todos aqueles que morreram acorrentados em calabouços; por todos aqueles que subiram orgulhosamente as escadas de patíbulos; por todos aqueles cujos ossos foram triturados, cuja carne foi marcada e rasgada; por todos aqueles que foram consumidos pelo fogo; por todos os indivíduos sábios, bondosos e bravos de quaisquer terras cujos pensamentos e feitos permitiram que seus filhos fossem livres.

Jurei que seguraria a tocha que eles seguraram, e que a seguraria alta, para que assim sua luz sobrepujasse a escuridão remanescente.

Sejamos honestos para conosco, honestos para com os fatos que conhecemos; e, acima de tudo, preservemos a veracidade de nossas almas.

Mesmo se deuses existirem, não temos como ajudá-los, mas temos como ajudar nosso semelhante. Não podemos amar o inconcebível, mas podemos amar nossas esposas, nossos filhos e nossos amigos.

Podemos ser honestos quanto à nossa ignorância. Se formos, quando questionados sobre o que há além do horizonte do conhecimento, devemos dizer que não sabemos; podemos dizer a verdade, e desfrutar da abençoada liberdade conquistada pelos bravos; podemos destruir os monstros da superstição, as serpentes ciciantes da ignorância e do medo; podemos expulsar de nossas mentes as aterrorizantes presas que rasgam e ferem; podemos civilizar nossos semelhantes; podemos preencher nossas vidas com ações generosas, com palavras amorosas, com arte, com música e com todo o arroubo do amor; podemos inundar nossa existência com o brilho do Sol, com o divino clima da bondade; e podemos beber até a última gota do cálice dourado da felicidade." Robert G. Ingersoll

Thursday, September 16, 2010

Política no novo mundo.

Não há dúvidas de que a internet nos trouxe uma série de benefícios. Comunicação sem barreiras. A democratização da informação. Certamente, hoje, o mundo é diferente do que era antes do advento da rede mundial de computadores.

Mais recentemente, como parte da contínua evolução da internet, deixamos de ser meros expectadores e passamos a produzir informação de todo tipo: texto, áudio e vídeo.

Essa transformação, ao mesmo tempo em que expande os horizontes do conhecimento, é, ao meu ver, um tanto nociva. É que, dado o tamanho desta rede que se expande a cada dia, não há mecanismo de verificação da informação que se produz. Note-se que cuido para não escrever 'controle', em lugar de 'verificação'.

Percebidamente, hoje todos somos um pólo de produção e absorção de informação, indiscriminadamente. Em outros tempos, a produção da informação estava centrada em alguns poucos veículos, como rádios, jornais, revistas e redes de televisão.

Ainda que questionavelmente, opino que esta centralização, ainda que permita a parcialidade da informação, produz informação de qualidade superior. Seguem-se, ao menos, as regras do bom jornalismo. E mesmo esta centralização não faz cessar o pluralismo.

Atualmente, o que se tem, permeando a rede mundial de computadores, é um sem-número de artigos mal escritos, suportados por factóides ou mesmo inverdades. São opiniões externadas sem qualquer fundamento lógico, ideológico ou factual. São textos carecedores de vida própria, desesperadamente atribuídos a grandes escritores e jornalistas sem o seu conhecimento ou firma, pelos seus próprios redatores. São vídeos entremeados de má-fé, com assertivas extraídas de seu verdadeiro contexto. São fotos mal intencionadas. São mentiras... O pior é que neste ambiente, a desinformação gera ainda mais desinformação.

Ao contrário do que possa parecer, sou um aficcionado pela internet. Sou a favor da livre informação, de sua democratização, do fim das barreiras de comunicação. Alerto somente para os perigos que aí existem e que daí derivam.

A grande maioria das pessoas não possui o discernimento necessário para avaliar a qualidade da informação que recebe. Eu aí incluído. É necessário estudar e pesquisar, investir tempo, para tanto. Algo que poucas pessoas se dispõem a fazer.

Se o risco da circulação desta informação de má-qualidade se limitasse a estórias inofensivas e sem efeito prático, não caberiam maiores críticas. Todavia, prestes a eleger um candidato a presidente nacional e diversos outros políticos a cargos de alta importância, o Brasil sofre com a desinformação.

Ressalve-se, contudo, que a desinformação não é exclusiva da internet. Especialmente em tempos de eleição. Não obstante, o que me propulsionou a escrever este texto foram os constantes e-mails, por vezes vindos de pessoas cuja opinião respeito e admiro, propalando o que sabidamente são inverdades, foram as repetidas postagens em mídias sociais expondo opiniões parciais e mal-formadas acerca de determinados fatos e pessoas.

Desde sempre, a falta de educação formal do brasileiro posou como um empecilho ao processo político. A ignorância não permite que a informação seja recebida e interpretada com algum tipo de juízo de valor mais acurado. Mas parece que a ilusão da informação fácil tem contribuido ainda mais negativamente para este cenário.

Me sensibilizo em ver que brasileiro médio, que já não possuía critérios minimamente objetivos para escolher seu candidato político, agora é bombardeado diuturnamente com material de conteúdo questionável.

Escrevendo esta resenha, percebo que cheguei ao seu fim, sem uma solução da problemática que ora aponto. A verdade é que não há uma resposta rápida. Deseinformação se combate com informação. Ignorância com educação.

Não sou jornalista nem guardo esta vocação, no entanto gostaria de dispor do tempo para produzir um documento isento e imparcial com aquelas informações que considero vitais para melhor compreendermos o processo político e conhecermos os personagens que o compõem.

Quem sabe possamos colaborar numa iniciativa de construir uma mídia social em que se compartilham informações acerca de todos os políticos nacionais, com seu histórico de atuação, suas iniciativas, as manchetes a seu respeito, os processos judiciais e eleitorais que cada um enfrenta, o patrimônio de cada um e a sua evolução ao longo de suas vidas políticas, as opiniões dos membros deste forum? Quem sabe este forum pudesse, inclusive, ter um convênio de informações com os Tribunais, Ministério Público, Câmaras e Senado? Divago.

Particularmente nesta eleição, rogo aqueles que tem bom senso, que embasem suas decisões políticas em informação de qualidade. Busquem informação sobre os seus prospectos candidatos, investiguem sua história política, seus atos, seus projetos, suas ideologias, seus pares e seus párias. Façamos isto e nos tornemos responsáveis pelo nosso país.