Não há dúvidas de que a internet nos trouxe uma série de benefícios. Comunicação sem barreiras. A democratização da informação. Certamente, hoje, o mundo é diferente do que era antes do advento da rede mundial de computadores.
Mais recentemente, como parte da contínua evolução da internet, deixamos de ser meros expectadores e passamos a produzir informação de todo tipo: texto, áudio e vídeo.
Essa transformação, ao mesmo tempo em que expande os horizontes do conhecimento, é, ao meu ver, um tanto nociva. É que, dado o tamanho desta rede que se expande a cada dia, não há mecanismo de verificação da informação que se produz. Note-se que cuido para não escrever 'controle', em lugar de 'verificação'.
Percebidamente, hoje todos somos um pólo de produção e absorção de informação, indiscriminadamente. Em outros tempos, a produção da informação estava centrada em alguns poucos veículos, como rádios, jornais, revistas e redes de televisão.
Ainda que questionavelmente, opino que esta centralização, ainda que permita a parcialidade da informação, produz informação de qualidade superior. Seguem-se, ao menos, as regras do bom jornalismo. E mesmo esta centralização não faz cessar o pluralismo.
Atualmente, o que se tem, permeando a rede mundial de computadores, é um sem-número de artigos mal escritos, suportados por factóides ou mesmo inverdades. São opiniões externadas sem qualquer fundamento lógico, ideológico ou factual. São textos carecedores de vida própria, desesperadamente atribuídos a grandes escritores e jornalistas sem o seu conhecimento ou firma, pelos seus próprios redatores. São vídeos entremeados de má-fé, com assertivas extraídas de seu verdadeiro contexto. São fotos mal intencionadas. São mentiras... O pior é que neste ambiente, a desinformação gera ainda mais desinformação.
Ao contrário do que possa parecer, sou um aficcionado pela internet. Sou a favor da livre informação, de sua democratização, do fim das barreiras de comunicação. Alerto somente para os perigos que aí existem e que daí derivam.
A grande maioria das pessoas não possui o discernimento necessário para avaliar a qualidade da informação que recebe. Eu aí incluído. É necessário estudar e pesquisar, investir tempo, para tanto. Algo que poucas pessoas se dispõem a fazer.
Se o risco da circulação desta informação de má-qualidade se limitasse a estórias inofensivas e sem efeito prático, não caberiam maiores críticas. Todavia, prestes a eleger um candidato a presidente nacional e diversos outros políticos a cargos de alta importância, o Brasil sofre com a desinformação.
Ressalve-se, contudo, que a desinformação não é exclusiva da internet. Especialmente em tempos de eleição. Não obstante, o que me propulsionou a escrever este texto foram os constantes e-mails, por vezes vindos de pessoas cuja opinião respeito e admiro, propalando o que sabidamente são inverdades, foram as repetidas postagens em mídias sociais expondo opiniões parciais e mal-formadas acerca de determinados fatos e pessoas.
Desde sempre, a falta de educação formal do brasileiro posou como um empecilho ao processo político. A ignorância não permite que a informação seja recebida e interpretada com algum tipo de juízo de valor mais acurado. Mas parece que a ilusão da informação fácil tem contribuido ainda mais negativamente para este cenário.
Me sensibilizo em ver que brasileiro médio, que já não possuía critérios minimamente objetivos para escolher seu candidato político, agora é bombardeado diuturnamente com material de conteúdo questionável.
Escrevendo esta resenha, percebo que cheguei ao seu fim, sem uma solução da problemática que ora aponto. A verdade é que não há uma resposta rápida. Deseinformação se combate com informação. Ignorância com educação.
Não sou jornalista nem guardo esta vocação, no entanto gostaria de dispor do tempo para produzir um documento isento e imparcial com aquelas informações que considero vitais para melhor compreendermos o processo político e conhecermos os personagens que o compõem.
Quem sabe possamos colaborar numa iniciativa de construir uma mídia social em que se compartilham informações acerca de todos os políticos nacionais, com seu histórico de atuação, suas iniciativas, as manchetes a seu respeito, os processos judiciais e eleitorais que cada um enfrenta, o patrimônio de cada um e a sua evolução ao longo de suas vidas políticas, as opiniões dos membros deste forum? Quem sabe este forum pudesse, inclusive, ter um convênio de informações com os Tribunais, Ministério Público, Câmaras e Senado? Divago.
Particularmente nesta eleição, rogo aqueles que tem bom senso, que embasem suas decisões políticas em informação de qualidade. Busquem informação sobre os seus prospectos candidatos, investiguem sua história política, seus atos, seus projetos, suas ideologias, seus pares e seus párias. Façamos isto e nos tornemos responsáveis pelo nosso país.
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