Saturday, July 16, 2011

Estresse Pré-Traumático

Tenho o mau costume de desconsiderar o sofrimento alheio. Preciso conseguir me identificar com aquele pesar para dar-lhe algum valor ou relevância. É bem verdade que muitos exageram a sua dor em troca de atenção, mas nem isto deve ser o suficiente para ignorá-la. Dor, seja de quem for, ou porque for, é dor. É preciso humildade para reconhecê-la e, assim fazendo, permitir brotar um sentimento grandioso e nobre: a compaixão.

Bem, não pretendo ser o que não sou. De fato, não costumo me compadecer com muito, mas estou num processo de aprendizagem.

De qualquer forma, trato deste assunto talvez porque me ache digno de compaixão. Digo isto porque reconheço em mim uma dor que, antes de compreendê-la, tratava como pífia em outros.

Assisti outro dia a um programa de televisão em que se tratava do chamado 'estresse pré-traumático'. Essa forma de estresse, segundo disse o especialista, é conhecido como sendo resultado de um ambiente de grande tensão e a expectativa de um evento negativo é encarada pelo organismo - psíquica e fisicamente - como real e presente.

A temática naquele programa de televisão circundava, na verdade, a violência que acomete não somente os grandes centros, mas todo o país. Assolada por este mal, toda a população brasileira vive em constante estado de tensão, mesmo sem aperceber-se, e isto reverte-se num quadro de estresse pré-traumático para muitos.

Para todos os fins, este estresse é um trauma ainda que não materializado. O constante receio de ser alcançado pela violência, nas suas inúmeras formas, traz efeitos nefastos para um indivíduo e para a coletividade.

Eu, particularmente após o nascimento da minha filha, não consigo digerir ou processar sem irritação um noticiário que transmite a absurda perpetração da violência, por vezes sem qualquer causa ou razão. O mal gratuito. Pior, me falha a capacidade de assistir filmes cujos personagens sejam submetidos a situações de semelhante mal.

Isto me diz que, no que concerne a violência, não mais distingo o real do irreal. A realidade da ficção. Em outra adução, poderia eu concluir que também sofro de estresse pré-traumático? Ou seria eu, apenas mais um buscando atenção?

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