Aracaju sempre foi modelo de cidade organizada e segura dentro dos padrões brasileiros. Todavia, já há algum tempo, esta máxima tem sido posta à prova. São os incômodos congestionamentos de trânsito, o combalido sistema educacional, o falido sistema de saúde e a crescente violência os principais desafiadores da tão aludida qualidade de vida, mas a administração pública já dá mostras de sua incapacidade gerencial também em outras frentes.
Há de se dizer que, conquanto complexa, a gestão de uma cidade como Aracaju não é das mais difíceis. Uma cidade que ainda não ultrapassa os 600 mil habitantes, tem uma área geográfica bastante reduzida e conta com um pesado efetivo de funcionários públicos poderia certamente oferecer melhores serviços públicos à sua população.
Uma parte do problema reside numa característica intrínseca a maior parte dos aracajuanos: sua resignação. São alheios às causas que lhes afetam direta e indiretamente. É de se questionar se tamanha indiferença resulta de sua incapacidade de percepção ou se é a grande dependência política o malfeitor. A maior parte, não obstante, está concentrada em um Estado despreparado, descomprometido e enfraquecido por disputas de poder.
Aracaju deve aprender com cidades maiores, em estágios de crescimento urbano mais avançados, que um descontrole agora significará um futuro incerto - para dizer o mínimo. Vejamos o preço que pagam hoje as grandes capitais do país, por seu passado.
É preciso reunir todos os setores da sociedade civil em torno de uma ampla discussão do que queremos para Aracaju nos próximos anos, com metas e ações concretas que possam ser medidas e acompanhadas de perto pela população.
Novas forças políticas precisam surgir e substituir os exultantes governantes e administradores públicos que aí estão. É preciso arrojo. A classe política mantém um discurso de que o Estado não possui suficientes recursos para saldar a enormidade de problemas existentes, o que é em parte verdade. No entanto, a abertura do debate com a sociedade poderia resultar em soluções menos custosas e mais eficientes.
Havendo a iniciativa, a aderência é certa. Assim, Aracaju pode conseguir manter a qualidade de vida e ainda agregar outros títulos.