Saturday, November 05, 2011

Manifesto em prol do empreendedorismo.

Por décadas o Brasil viu sua economia sucumbir e minguar diante da hiperinflação, corrupção, desgoverno, desemprego, falta de investimento em infraestrutura, pouca ou nenhuma oferta de crédito dentre diversos outros malgrados.

Durante este período, o brasileiro teve de ser inventivo e desdobrar-se para subsistir, o que produziu um efeito direto sobre o país, sobretudo para empreendedores. Daí a recorrente assertiva de que o Brasil é o país do empreendedorismo. Esta afirmação é ainda reforçada pelo fato de que, à época - e isto persiste hodiernamente -, uma parte significativa dos empregos gerados no país (pouco mais de 60%) resultavam de pequenas e difusas organizações empresariais e não de grandes conglomerados econômicos.

É notória a flexibilidade e capacidade de adaptação de uma grande parte destes profissionais brasileiros, os empreendedores. Não obstante, refuto o argumento de que estes tempos difíceis produziram um país de profissionais distintos e aptos a empreender. Ao contrário, defendo que a instabilidade e inconstância dos mercados e do país como um todo reforçaram as burocracias e criaram um sem número de tecnocratas.

Não me é desapercebida a competitividade que o empreendedor brasileiro médio opõe aos seus pares oriundos de outras partes do globo. Tampouco olvido a sua grande relevância econômica. Ratifico a noção de que o Brasil possui empresas e empresários extremamente preparados e capazes. Entretanto, creio que estes formam um grupo reduzido de indivíduos, em detrimento de uma massa de parca proatividade.

Ocorre que uma larga parcela dos brasileiros reitera o pensamento de que o sucesso empresarial, especialmente quando ostensivamente representado no acúmulo de riquezas, é advindo de qualquer outro elemento que não aqueles que realmente o produzem: preparo, trabalho árduo e resiliência. Parecem equiparar o ente privado ao público e vislumbram qualquer evolução patrimonial, ainda que singela, como objeto de alguma prática ilícita ou obscura.

Em tempos de bonança, cresce a economia e, bem assim, prosperam os negócios (ou assim se espera). É então que ladeiam-se burocratas e tecnocratas para rechaçar o empreendedor. Despropositadamente, vêem-se estes, nestes tempos, como paladinos dos limites morais e éticos do capital.

Em verdade, reputo esta, que julgo pobre e errônea, avaliação às próprias limitações que este grupo de pessoas se impõe. Por vezes são gente altamente graduada e especializada cuja falta de arrojo aponta para um caminho que não privilegia o risco. Esquecem-se de que na via oposta, pode-se perder tudo, principalmente em um país que condena ao ostracismo eterno aqueles que fracassam.

O fato é que nenhum indício parece suportar a argumentação de que o Brasil é o país do empreendedorismo. O brasileiro médio parece estar pronto para invejar o resultado do empreendedorismo, quando positivo, mas não quer suportar a sua via crucis

Ao contrário do que se passa em países prósperos, que exibem grande apoio e reverência às atividades de sua classe empresária e seu sucesso, o Brasil cria barreiras burocráticas, não dispõe de políticas de fomento, limita o crédito, tributa em excesso, onera as contratações de mão-de-obra e acaba por transferir o custo de sua ineficiência para aqueles responsáveis pela maior parte da economia nacional.

Penso que é digno de salvas este corpo de desbravadores e por que não dizê-los heróis. Mais, os empreendedores brasileiros são merecedores de respeito e atenção e não lhes é justo aviltar seu trabalho e sucesso.






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