Sunday, March 04, 2012

Veni, vidi, vici.


Um tanto tardiamente, confesso, assisti o documentário sobre a vida do piloto de Fórmula 1, Ayrton Senna. Em pouco mais de noventa minutos, a obra tenta, com algum louvor, mostrar a vida deste grande esportista.

A película me comoveu diversas vezes, entretanto não foi o seu apelo emotivo que capturou a minha atenção. Na verdade, o subtexto é que me convidou à reflexão. É que o filme, à seu modo, responde uma pergunta que as pessoas se fazem a todo o tempo: o que é sucesso e o que conduz alguém alcança-lo?

É certo que aqueles que obtêm bom resultado em suas atividades trilham caminhos diversos e têm características distintas uns dos outros. Não há uma fórmula precisa a ser seguida, entretanto, alguns traços – observo –, parecem ser comuns a todos.

Ayrton Senna foi uma pessoa de muitas qualidades, umas positivas e outras nem tanto, mas lhe sobrou um componente vital: foco.

Desde o início de sua curta carreira, encerrada brevemente por uma fatalidade, o tricampeão mundial traçou objetivos claros e, não sem questioná-los, manteve-se fiel a eles por todo o período em que esteve no esporte. O seu afinco e determinação em torno destas metas foram determinantes para que chegasse ao posto almejado.

Criado em berço de ouro, a vida presenteou Ayrton com oportunidades ímpares e possivelmente outro menos favorecido não poderia gozar de iguais chances, mas não foi o contexto que o definiu e, sim, o contrário.

Mesmo dentro de um ambiente – diga-se, privilegiado – Senna teve de superar grandes adversidades e galgar seu espaço. Além de ultrapassar as barreiras da acirrada competição de seu esporte, teve ainda de suportar as pressões da política interna que a Fórmula 1 comporta.

Seu foco jamais foi a vitória pela vitória. Foi o de superar seus limites, dar mais e o melhor de si. Quando tiraram-lhe injustamente o título mundial, Ayrton enfureceu-se mas não se sentiu menor. Ao contrário, sua frustração o propeliu a tornar-se campeão no ano seguinte, aplicando sobre seu adversário a mesma artimanha que lhe tirara o campeonato anterior. Senna sagrou-se campeão, mas era latente o conflito interno entre ganhar sorrateiramente e como, de fato, desejava. Perder sempre lhe desagradou e vencer era a coroação de seus esforços, mas o tricampeão refutava os atalhos.

A definição de sucesso é relativa e não é somente a vitória que a avaliza. Importa o caminho. Outros de menor notoriedade, disse o próprio campeão, marcaram-lhe mais a vida do que grandes como Alain Prost e Nigel Mansell. É o caso de Terry Fullerton, bem-sucedido de história própria, com quem Senna competia em seus tempos de kart, e por quem o piloto nutria respeito e admiração, além de tê-lo declarado o seu mais duro oponente.

Sucesso é, por definição, lograr êxito mas os critérios distam de uma pessoa para outra. Só se chega a um dado resultado pretendido aplicando-se. É preciso resiliência, persistência, valores firmes e, sobretudo, foco. O sucesso não é dependente do reconhecimento alheio.

Nobres e bem-sucedidos, penso eu, são aqueles que perseguem o caminho mais do que o próprio destino. A estes, como para Ayrton, o sucesso é uma consequência.



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