Um
tanto tardiamente, confesso, assisti o documentário sobre a vida do piloto de
Fórmula 1, Ayrton Senna. Em pouco mais de noventa minutos, a obra tenta, com
algum louvor, mostrar a vida deste grande esportista.
A
película me comoveu diversas vezes, entretanto não foi o seu apelo emotivo que
capturou a minha atenção. Na verdade, o subtexto é que me convidou à reflexão.
É que o filme, à seu modo, responde uma pergunta que as pessoas se fazem a todo
o tempo: o que é sucesso e o que conduz alguém alcança-lo?
É
certo que aqueles que obtêm bom resultado em suas atividades trilham caminhos
diversos e têm características distintas uns dos outros. Não há uma fórmula precisa
a ser seguida, entretanto, alguns traços – observo –, parecem ser comuns a
todos.
Ayrton
Senna foi uma pessoa de muitas qualidades, umas positivas e outras nem tanto,
mas lhe sobrou um componente vital: foco.
Desde
o início de sua curta carreira, encerrada brevemente por uma fatalidade, o
tricampeão mundial traçou objetivos claros e, não sem questioná-los, manteve-se
fiel a eles por todo o período em que esteve no esporte. O seu afinco e
determinação em torno destas metas foram determinantes para que chegasse ao
posto almejado.
Criado
em berço de ouro, a vida presenteou Ayrton com oportunidades ímpares e
possivelmente outro menos favorecido não poderia gozar de iguais chances, mas
não foi o contexto que o definiu e, sim, o contrário.
Mesmo
dentro de um ambiente – diga-se, privilegiado – Senna teve de superar grandes
adversidades e galgar seu espaço. Além de ultrapassar as barreiras da acirrada
competição de seu esporte, teve ainda de suportar as pressões da política
interna que a Fórmula 1 comporta.
Seu
foco jamais foi a vitória pela vitória. Foi o de superar seus limites, dar mais
e o melhor de si. Quando tiraram-lhe injustamente o título mundial, Ayrton
enfureceu-se mas não se sentiu menor. Ao contrário, sua frustração o propeliu a
tornar-se campeão no ano seguinte, aplicando sobre seu adversário a mesma
artimanha que lhe tirara o campeonato anterior. Senna sagrou-se campeão, mas era
latente o conflito interno entre ganhar sorrateiramente e como, de fato,
desejava. Perder sempre lhe desagradou e vencer era a coroação de seus
esforços, mas o tricampeão refutava os atalhos.
A
definição de sucesso é relativa e não é somente a vitória que a avaliza.
Importa o caminho. Outros de menor notoriedade, disse o próprio campeão,
marcaram-lhe mais a vida do que grandes como Alain Prost e Nigel Mansell. É o
caso de Terry Fullerton, bem-sucedido de história própria, com quem Senna
competia em seus tempos de kart, e
por quem o piloto nutria respeito e admiração, além de tê-lo declarado o seu
mais duro oponente.
Sucesso
é, por definição, lograr êxito mas os critérios distam de uma pessoa para
outra. Só se chega a um dado resultado pretendido aplicando-se. É preciso
resiliência, persistência, valores firmes e, sobretudo, foco. O sucesso não é
dependente do reconhecimento alheio.
Nobres
e bem-sucedidos, penso eu, são aqueles que perseguem o caminho mais do que o
próprio destino. A estes, como para Ayrton, o sucesso é uma consequência.
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