Tuesday, July 10, 2012

De volta ao início. Rumo ao fim.

Acredito que toda pessoa que escreve e expõe um pensamento seu o faz por uma necessidade íntima. O faz por que lhe urge contestar um argumento, protestar contra um fato, afirmar uma opinião, provocar uma reação, obter confirmação, satisfazer seu ego...


Sempre cri que escrevia sobre assuntos que me moviam, verdadeiramente. Contudo, relendo minhas últimas publicações - na sua quase totalidade tocantes direta ou indiretamente à realidade social, econômica e política brasileira - percebi algo: a minha imensa e despropositada ingenuidade.


A um adulto, homem feito, no entanto, não é dado ser despido de malícia. Somente um idiota pode tratar com paixão um tema que exige tanto ceticismo quanto a política. Permitir consumir-se em fúria ao enxergar repetidas vezes as imorais práticas que predominam a nossa vida política é uma confissão de pouca inteligência. 


Pior é não ver correlação entre a classe política e nossa sociedade, crendo-nos meras vítimas, impassíveis diante de todo o lamaçal. Isto é, minimamente, cerrar os olhos para aquilo que a vida nos apresenta como mais evidente: a 'filhadaputice' (perdoem-me o neologismo) alheia, por ação ou omissão.


Ao contrário do que possa parecer, não estou desgostoso com a vida. Por sorte e por hora, nenhum problema que a vida me propõe tem solução mais complexa do que a de encontrar alguns tostões aqui e acolá. Não que (a falta de) dinheiro não seja um problema, mas considerando as possibilidades diria ser o menor dos possíveis...


Volvendo: Sim, até hoje meus breves escritos se materializaram por impulsos fortes. Porém, não partiram de uma vontade nobre, mas tão somente pela necessidade de ocultar fraquezas. Não me refiro tão somente à ingenuidade, mas de todas as imperfeições que fazem de mim um perfeito ser humano.


O tema político é perfeito, pois somente denunciava um de diversos outros deméritos. Tratar qualquer questão que nos toque mais profundamente exige, além de um hercúleo exercício dialético, coragem. Busquei ratificar uma suposta destreza intelectual em detrimento de vasculhar fatos e sentimentos mais relevantes e potencialmente mais interessantes aos muito poucos que me lêem - cuja confirmação me é cara, sobretudo para suportar meu frágil ego.


Desconhecedor da sua biografia pessoal, não iria tão longe de querer sê-lo. Todavia, me traria imensa satisfação poder compulsar a alma humana, sobretudo a minha, com tamanha acuidade e despretensão como fez Nelson Rodrigues.


Isto dito, aviso-lhes que iniciarei um novo momento da minha desabonada vida editorial. Não sei o quanto conseguirei evitar os bordões e clichês, mas me aventurarei em escrever espécies de críticas da vida cotidiana, seja sob a forma de contos, relatos ou quaisquer outros padrões de escrita.



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